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O Cosmopolitismo em Augusto de Campos e o poeta provençal Arnaut Daniel

A soma da sabedoria humana não está contida em nenhuma linguagem e nenhuma linguagem em particular é CAPAZ de exprimir todas as formas e graus da compreensão humana. Ezra Pound (pág. 38: 1995) É em muito a contribuição de Haroldo e Augusto de Campos para a literatura brasileira, contribuição essa que em grande parte está nas diversas traduções que os irmãos realizaram. E é a partir desse trabalho que a língua portuguesa possui uma visão de diversas obras e de escritores que fazem parte da literatura mundial. A partir do trecho acima, na qual Ezra Pound afirma que nenhuma linguagem é capaz de conter em si toda a sabedoria humana é entendido que o cosmopolitismo é imanente à literatura. Nessa direção, creio que o motivo disso está no fato da necessidade urgente da literatura de dizer e de tentar refletir fatos, sentimentos e reproduzir diferentes culturas. Trato aqui, não de um cosmopolitismo rígido e ideológico, mas sim daquele que se volta para as relações multiculturais, um ...

Álvares de Azevedo, Byron: cosmopolitismo e nacionalismo

Durante o romantismo realizado no Brasil, muitos poetas optavam por uma estética vinculada, aos dramas nacionais e alguns até acreditavam que para se consolidar a literatura brasileira era necessário tratar das paisagens locais. Ainda que Àlvares de Azevedo seja um poeta do período romântico da literatura brasileira, a temática de sua poesia não está vinculada àquela tentativa de desprendimento da literatura européia e de dar forma a uma identidade nacional, algo que aconteceu com os escritores categorizados como de primeira geração.  Ao avaliar o opúsculo de Gonçalves de Magalhaens, no momento em que o autor fala Sobre a História da Literatura no Brasil fica evidente seu caráter de manifesto, ou melhor, o autor dá exemplos literários e históricos destinados a um fim, ou seja, o autor evidencia certo instinto oculto , que pensava ser necessário para a formação de uma literatura nacional. Para Gonçalves de Magalhaens, a paisagem brasileira seria a matéria de poesia necessá...

Na estrada com Jack Kerouac e Walter Salles

A pé e com o coração iluminado, adentro a estrada aberta, Saudável, livre, o mundo adiante de mim,  a longa senda marrom em minha frente, conduzindo-me para onde [quer que eu escolha. A partir de agora não peço mais pela boa sorte, pois eu mesmo sou [a boa sorte, A partir de agora abandono as lamúrias, não mais procratismo, de [nada mais necessito, Estou farto de reclamações entre quatro paredes, bibliotecas, críticas [conflituosas Forte e satisfeito eu viajo pela estrada aberta.(...) Jack Kerouac em 1951, a partir das viagens e situações vivenciadas que duraram aproximadamente sete anos, com seus amigos: Neal Cassady, Allen Ginsberg e Willian S. Burroughs, escreveu em poucas semanas o Romance que seria considerado anos mais tarde a Bíblia da juventude norte-americana. E mais do que isso, um símbolo da geração Beat. No entanto, o sucesso do livro não ocorreu tão rápido, o livro de Kerouac chegou a ser rejeitado por muitas editoras e revisado várias ve...

A eternidade

Achada, é verdade? Quem? A Eternidade. É o mar que se evade Com o sol à tarde. Alma sentinela Murmura teu rogo De noite tão nula E um dia de fogo. A humanos sufrágios, E impulsos comuns Que então te avantajes E voes segundo... Pois que apenas delas, Brasas de cetim, O Dever se exala Sem dizer-se: enfim. Nada de esperança, E nenhum oriétur. Ciência em paciência, Só o suplício é certo. Achada, é verdade? Quem? A Eternidade. É o mar que se evade Com o sol à tarde. Rimbaud (Tradução: Ivo Barroso)

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco, Monstro de escuridão e rutilância, Sofro, desde a epigênese da infância, A influência má dos signos do zodíaco. Profundissimamente hipocondríaco, Este ambiente me causa repugnância... Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia Que se escapa da boca de um cardíaco. Já o verme - este operário das ruínas - Que o sangue podre das carnificinas Come, e à vida em geral declara guerra, Anda a espreitar meus olhos para roê-los, E há de deixar-me apenas os cabelos, Na frialdade inorgânica da terra! "Eu" Augusto dos Anjos

Idealização da Humanidade Futura

Rugia nos meus centros cerebrais A multidão dos séculos futuros __ Homens que a herança de ímpetos impuros Tornara etnicamente irracionais! Não sei que livro, em letras garrafais Meus olhos liam! No húmus dos monturos, Realizavam-se os partos mais obscuros, Dentre as genealogias animais! Como quem esmigalha protozoários Meti todos os dedos mercenários Na consciência daquela multidão... E, em vez de achar a luz que os Céus inflama, Somente achei moléculas de lama E a mosca alegre da putrefação! Augusto dos Anjos

Sempre

Jamais se saberá com que meticuloso cuidado Veio o Todo e apagou os vestígios de Tudo E Quando nem mais suspiros havia Ele surgiu de um salto Vendendo súbitos espanadores de todas as cores! Mario Quintana ( O aprendiz de feiticeiro)

O dia

O dia de lábios escorrendo luz O dia está na metade da laranja O dia sentado nu Nem sente os pesados besouros Nem repara que espécie de ser... ou deus... ou animal                           [é esse que passa no frêmito da hora Espiando o brotar dos seios. Mario Quintana (O aprendiz de feiticeiro)

Lua perdida

Lua perdida nos muitos cantos do mundo assombrando os sonhos. Às vezes adormecida no rastro vermelho do sol. Junto  com a trama secreta do destino acorda seu nome acorda também seus pássaros e à noite seus mistérios. Pollyanna Nunes Ramalho 2008
Escritores da Liberdade (Freedom Writers, EUA 2007) é um daqueles filmes que bem representa a realidade contemporânea das escolas e das relações entre professores e alunos. A partir disso, pretendo relacionar o filme com algumas assertivas de Inês Assunção de Castro no artigo Da Condição Docente: Primeiras Aproximações Teóricas. O filme conta a história de uma professora recém-formada, Erin Gruwell (Hilary Swank), que tem o interesse de lecionar Língua Inglesa, mas que não imaginava os desafios que estavam por vir. O enredo, inicialmente, apresenta desde questões burocráticas que fazem parte da vida dos professores, como exemplo a admissão e os primeiros contatos com a diretoria da escola até as relações com os alunos. Também, é interessante observar as diferenças sociais entre os professores e alunos. Se Erin, formada em Direito, como outros docentes e membros da diretoria da escola, tiveram acesso a uma educação que lhes deram uma formação e uma profissão, os alunos, neste c...
CASTRO, Amélia Domingues de.  A trajetória histórica da Didática , Série Idéias n. 11, São Paulo, FDE, 1991. SOARES, Magda B.  Didática: uma disciplina em busca de sua identidade.  ANDE São Paulo, 1985. Múltiplas são as teorias e as tendências pedagógicas que perpassam a história. No entanto, a meu ver, poucas mudanças foram realizadas quando se pensa na realidade docente. Talvez, um dos motivos que dificulta essa prática docente é o não esclarecimento da Didática como disciplina substancial na formação de professores, bem como no desenvolvimento do discente e da comunidade escolar como um todo. Em “A Trajetória Histórica da Didática”, Amélia Domingues de Castro traça o percurso do campo de estudos da Didática desde o século XVII até a atualidade. Nesse sentido, a autora pontua os objetos de estudo desse campo ao longo do tempo. Se inicialmente, tem - se por Comênio e Ratíquio a ideia de uma nova disciplina como “Arte de ensinar tudo a todos” baseado por ...

Resenha do capítulo: “Penser/Classer” de Geoges Perec

Neste trabalho, apresento, uma resenha sobre o capítulo XIII do livro “Pensar/Clasificar” (título traduzido do original em Francês “Penser/Classer”), de Georges Perec. Capítulo no qual, o autor, ao mesmo tempo em que se detém sobre reflexões acerca do (in) classificável, ou seja, da ideia de uma ordem ou desordem, do que se é possível ou não nomear, dizer, listar e numerar. Lança mão de categorias, como o alfabeto, para mostrar sua arbitrariedade. Passando à estruturação do artigo, o autor divide cada subtítulo com as letras do alfabeto francês. E o inicia com a letra D, fugindo assim da ordenação comum do alfabeto. Desse modo, o autor nos deixa claro que Pensar é ir além de simplesmente categorizar ou classificar. Em Sumario , primeiro subtítulo do texto, e que normalmente temos uma introdução do tema tratado, Perec engloba os 26 subtítulos: Sumario - Métodos - Preguntas - Ejercicios de vocabulário - El mundo como rompecabezas - Utopías - Veinte mil leguas – de viaje su...

Linhas talhadas

Os pés pisam os caminhos. Sobre a textura da terra, da areia, da grama, da brita, do asfalto, dos céus   e dos infernos. E os caminhos?   São criados por puro Acaso? Ou o corte das águas e as trilhas marcadas são realizadas por pura ação do tempo? A borra do café e as linhas das mãos são como os caminhos. Os caminhos guardam mistério, São in (felizes) e in (humanos). São fluidos densos de sensações em constante transformação talhando o tempo e o espaço. Pollyanna Nunes Ramalho 10/04/12