Pular para o conteúdo principal

Que este amor não me cegue nem me siga

Que este amor não me cegue nem me siga
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Que este amor só me faça descontente
E farta de fatigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só sóem ser aranhas e formigas.

Que este amor só me veja de partida.

                                                      Hilda Hilst
 Ver:

Azougue 10 anos org. Sérgio Cohn. Rio de Janeiro: Azougue Editorial 2004

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

 No delírio da tarde  Eu vi meu rosto.  Na taça emborcada do dia sorvido  Eu vi meu rosto. O cristal se partiu,  Esgotei meus olhos na noite.  Maria Angela Alvim Livro "Superfície" 1950, em Poemas 

A senhora que ali estava/ conto

Pela manhã, Ina resolveu conhecer um novo lugar, estava cansada. Não os pais, não o marido, não as pessoas compreendiam. Então por uma semana passou em uma nova cidade e, todos os dias de manhã caminhava por algumas ruas, achava aquele lugar de aparência agradável. Já que estava passando muito mal mesmo, e as pessoas não poderiam imaginar – resolveu caminhar. Viu uma senhora sentada num banco e pensou em conversar com ela para ver se o tempo passava e aqueles sentimentos de tristeza e insatisfação passassem junto. A senhora prontamente lhe deu bom dia e disse que esperava por coincidência que alguém sentasse ali e falasse com ela também. Perguntou seu nome e ambas disseram uma à outra seus respectivos nomes. O sol pela manhã como de costume naquele lugar estava ameno. Ina percebeu no modo de ser daquela senhora certa avidez para lhe contar algo sobre ela mesma. Achou que deveria perguntar o que ela queria dizer. A senhora lhe disse: ___ A vida é muito difícil, possui nuances de possibi...

Uma estrela brilhante

  Era uma vez dois irmãozinhos. Toda noite, olhavam para o céu e viam uma estrela reluzente e queriam saber de que modo aquela estrela fora parar ali e perguntaram se poderiam encontrá-la. Era uma estrela brilhante, reluzente aos seus olhos. Então, decidiram saber algo sobre aquele enigma. Perguntaram por todo lado, dali pra lá, de cá pra lá - De seus amigos, vizinhos e vizinhas tiveram respostas das mais diversas: alguns disseram que aquela estrela poderia ser um pequeno planeta tão distante que se via dela apenas o brilho; outros disseram que era apenas um cometa. O menino e a menina ficaram na dúvida e pensaram, pensaram: Nossa os adultos têm muita imaginação e imaginação é tudo! Mas, houve alguém que lhes deram uma boa explicação. -  Se aquela estrela for tão reluzente e brilhante a seus olhos, espere um momento, ela riscará o céu e quando isso acontecer sejam ligeiros, façam um bom pedido, logo o pedido realizado, ela se tornará uma linda estrela do mar.  Se eles e...