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tensão,ovo novelo e plano-piloto para a poesia concreta

O plano-piloto para a poesia concreta publicado em 1958, em noigandres, se realizou na tentativa de esclarecer as intenções dessa nova abordagem poética, que não se interessava pela estrutura linear e discursiva do verso. A proposta dos irmãos Campos e de Décio Pignatari sobre a poesia concreta não era, a meu ver, de uma ruptura com o passado, mas sim de uma evolução das formas poéticas antes utilizadas. Essa teoria se coloca como linha de frente para a poética voltada para além dos recursos verbais.  Os recursos espaciais, como também os sonoros ganham grande importância na construção do sentido. Muitos são os poemas publicados por Augusto de Campos que se relacionam com as ideias presentes no plano-piloto. No entanto, neste trabalho será tratado apenas dois poemas, como “Tensão” e “Ovo novelo”. No poema “Tensão”, é possível perceber a comunicação entre a linguagem verbal, visual e também sonora. com           ...

Aspectos da poesia de Maria Ângela Alvim

. Embora a obra poética de Maria Ângela Alvim não se caracterize pela vastidão, nem apresente uma poesia no estado maduro se comparada a outros poetas como Carlos Drummond de Andrade. Sua poesia apresenta, a meu ver, uma sensibilidade atrativa pelo modo de reter apenas o essencial. Os livros Superfície e Barca do tempo exemplificam a singularidade dessa poesia, que formalmente se caracteriza pela presença de poemas curtos e que também adere à forma fixa do soneto. Os temas subjacentes aos símbolos e às figuras como a morte, a poesia e a impermanencia da vida e da memória se articulam com as imagens límpidas e sensoriais filtradas pela poetisa. O título do único livro publicado em vida de Maria Ângela Alvim remete ao estado fugitivo em que o sujeito se coloca no mundo. Nem completamente na vida e nem completamente na morte. Meus olhos são telas d’água, Não ferem a perfeição . Sendo a morte para esse, mais atrativa do que a própria vida. O olhar do sujeito é o olhar de q...

Cor

Para um tempo de olhar a cor é breve e já no repensar foge ao momento. Quis ser na flor, no adeus, no rio lento, mas se não há memória, não se atreve. E mesmo no destino quase leve das coisas que não sofrem entendimento no indiferir do mundo desatento, flor, adeus ou rio, — a cor é breve. Laçando uma tenuíssima aparência ao engano de ser, entretecida, a cor, refluindo, é vã sobrevivência. Mal se anuncia em tons, e apenas crível Na remontante fuga da subida demora azul, refeita de invisível. (Livro Barca do Tempo)

Trecho do livro Grande Sertão Veredas

"(...) Só o que eu quis todo o tempo, o que eu pelejei para achar era uma só coisa —a inteira — cujo significado e vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era? que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito de cada uma pessoa viver— e essa pauta cada um tem — mas a gente mesmo, no comum não sabe encontrar: como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas esse norteado, tem. Tem que ter. Se não a vida de todos ficava sendo sempre confuso dessa doideira que é. E que para cada dia e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto; mas fora dessa consequência, tudo o que eu fizer, o que todo o mundo fizer,ou deixar de fazer,fica sendo falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei,escondida e vivível mas não achável no, do verdadeiro viver: que pra cada pessoa,sua continuação já foi projetada,como o que se põe,em teatro, para cada respresentador — sua parte,que antes ja foi inventada,num papel ...

Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação, não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. (BANDEIRA, Manuel)