Pular para o conteúdo principal

Postagens

Cor

Para um tempo de olhar a cor é breve e já no repensar foge ao momento. Quis ser na flor, no adeus, no rio lento, mas se não há memória, não se atreve. E mesmo no destino quase leve das coisas que não sofrem entendimento no indiferir do mundo desatento, flor, adeus ou rio, — a cor é breve. Laçando uma tenuíssima aparência ao engano de ser, entretecida, a cor, refluindo, é vã sobrevivência. Mal se anuncia em tons, e apenas crível Na remontante fuga da subida demora azul, refeita de invisível. (Livro Barca do Tempo)

Trecho do livro Grande Sertão Veredas

"(...) Só o que eu quis todo o tempo, o que eu pelejei para achar era uma só coisa —a inteira — cujo significado e vislumbrado dela eu vejo que sempre tive. A que era? que existe uma receita, a norma dum caminho certo, estreito de cada uma pessoa viver— e essa pauta cada um tem — mas a gente mesmo, no comum não sabe encontrar: como é que sozinho, por si, alguém ia poder encontrar e saber? Mas esse norteado, tem. Tem que ter. Se não a vida de todos ficava sendo sempre confuso dessa doideira que é. E que para cada dia e cada hora, só uma ação possível da gente é que consegue ser a certa. Aquilo está no encoberto; mas fora dessa consequência, tudo o que eu fizer, o que todo o mundo fizer,ou deixar de fazer,fica sendo falso, e é o errado. Ah, porque aquela outra é a lei,escondida e vivível mas não achável no, do verdadeiro viver: que pra cada pessoa,sua continuação já foi projetada,como o que se põe,em teatro, para cada respresentador — sua parte,que antes ja foi inventada,num papel ...

Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é que estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação, não noutra alma. Só em Deus — ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não. (BANDEIRA, Manuel)